Amor é

Amor desenfreado, histórias intermináveis de paixão. Longas epopeias de vida e emoção. De glória e desilusão. Investimento a longo prazo a fundo perdido. Temperamento desmedido, criação de novos universos. Coração a mil, um Big Bang. Insónias intermináveis, quente sangue. É solidão, sofrimento, depressão. reclusão.
Num simples olhar, é pura poesia nutrida de dois sorrisos sinceros. É discussão, dissuasão. É um jogo de vitória e desilusão, carência e atenção.
É o combustível de um mundo sem opinião.

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Um Acaso a partir do Nada

Paixão e Aventura, dois vocábulos indissociáveis. Coexistem, alimentam-se em uníssono e de forma recíproca. Os dois criam um «Big Bang». Uma explosão do Acaso a partir do Nada que cria vida, realidade, memórias. Juntam-se os dois como numa receita simples. E não existe só um. A génese de todos eles é criada pela simples junção destas letras. Confuso? Admitamos que estes “Big Bangs” coincidem com todas as histórias deste universo. Continua confuso? É mesmo para estar. O ser humano sente-se tão grande, mas ao mesmo tempo tão pequeno na imensidão eterna que é a vida. O acaso está em tudo. É um acaso estares a ler esta publicação num rol de tantos milhões de conteúdos. A existência é isto, um Acaso a partir do Nada.

Os antecedentes desta vida, em particular, criaram-se a partir de dois pequenos aparelhos eletrónicos. A tecnologia, insignificante como é, permitiu que numa atmosfera ao estilo do cinema antigo norte americano, o ponto de encontro fosse à frente de um coreto.

Cenário retirado a papel químico de uma película antiga. Meia dúzia de bancos de madeira compõem a paisagem.

Em frente, ergue-se o som leve da água a bater nas rochas. Um pequeno lago, ali se afigura. Todo este perfume quase faz olvidar que fazemos parte de uma paisagem urbana.

O escuro, esse já tinha invadido as ruas. Alguns postes de iluminação já se fazem iluminar, outros ainda se mostram confusos com a passagem do tempo.

Não se vê vivalma na rua. Nada, a não ser um carro cinzento com uns 15 anos que ali está imobilizado, bem à frente do coreto. É o único veículo que compõe um parque de estacionamento capaz de albergar 20 carros. Olhando lá para dentro, distingue-se um jovem de olhar apreensivo, que parece olhar incessantemente a 360 graus.

Nada lhe escapa, mas algo parece estar em falta. Algo ou “alguém”. O que será?

O indivíduo garante que nos próximos trinta minutos, o tempo parou.

Eis que um Jardim do Éden de sensivelmente 1,60 m de altura irrompe de surpresa. Pelo menos foi esta a descrição feita por ele.

Como uma caravela que a velejar num mar de nevoeiro, descobriu terra, ele descobre o paraíso.

Num abrir e piscar de olhos, tudo muda. A escuridão da rua dá lugar a uma luz tão forte que instantameante eclipsa o sol de toda a sua existência.

Volto a frisar, ele afirma incessantemente que durante 30 minutos, o espaço temporal foi interrompido por um paraíso que lhe apareceu na frente.

Eis que decide sair da viatura. As veias e o coração quase que entram em colapso. Há relatos inclusive de habitantes que vivem a 20km distância que juram ter ouvido todos os batimentos cardíacos.

Tímido, ele avança. O pequeno vulto, fica mais percetível. Distinguem-se já alguns traços.

Cabelos lisos e escuros. Olhos de cor amêndoa meios esverdeados. Um sorriso capaz de iluminar os locais mais escuros deste mundo. Ele continua sem reação. E assim mantém-se mais uns minutos.

Tanto tempo ele esperou para descobrir aquela felcidade, e agora nenhuma palavra lhe sai. Demasiada timidez.

Quase que em uníssono, o olhar dele interceta o dela. Relatos dizem que ainda hoje, ele encontra-se lá, perdido na admiração pela pedra mais rara deste mundo (do universo melhor dizendo).

Um insignificante encontro, fruto do acaso e do nada.

A timidez dos dois leva ao diálogo, pela primeira vez de forma direta. Nunca antes tiveram eles contacto visual.

O cenário noturno deixa-os horas e horas e horas a conversar. Ele afirma mesmo que vários anos se passaram nessa noite.

Num simples cruzar de olhar como tantos outros, ambos os lábios se tocam. O mundo gira à velocidade da luz, e cada vez de forma mais rápida deixa-os sozinhos em todo a existência. Tudo escurece e tudo ganha vida ao mesmo tempo. O futuro do universo escreve-se agora a partir deste colapso.